No nosso quotidiano somos bombardeados pelos meios de comunicação com notícias que suscitam a ideia de países desenvolvidos ou em desenvolvimento esquecendo os problemas sociais que assombram grandes cidades. Através de grandes superficiais comercias e festas deslumbrantes tentam encher as notícias dos jornais não sobrando espaço para demonstrar a verdadeira realidade, aquela que se observa durante a noite e também o dia que evidencia a pobreza que ainda existe nas ruas, a existência de fome por detrás de um excesso de festas e glamour.
Em resposta a estes problemas sociais existem organizações sociais que decidem intervir através de políticas de ajuda e caridade trazendo um novo alento àqueles que estão a parte da sociedade e que choram por um pouco de compaixão.
Decidi abordar então o Banco Alimentar Contra a Fome, verificando que devido à globalização é visível a crescente preocupação relativamente ao assunto da falta de comida em todos os países mais carenciados, que na sua maioria se situam no hemisfério sul do globo.
Os bancos alimentares são medidas necessárias mas temporárias pois, apesar de todas as pessoas terem direito a um nível de vida que lhes assegura saúde e bem-estar relativamente não só a alimentação mas também ao vestuário, habitação e assistência médica isto não acontece em vários sítios do mundo. Estas instituições são privadas, ou seja, nada têm a ver com o Estado, são apolíticas, e comprometem-se a praticar uma gestão transparente obedecendo a regras restritas e idênticas para todos os bancos, possuem uma contabilidade organizada e estes bancos alimentares lutam contra o desperdício de produtos alimentares distribuindo-os às pessoas carenciadas.
Os Bancos Alimentares, são uma emanação da sociedade civil e devem ser por ela, alimentados com trabalho voluntário, produtos e fundos. Não se pretende uma caridade condescendente: a resposta dos dadores deve ser um gesto consciente, uma opção de cidadania que vai contribuir para criar mais justiça e mais igualdade.
Ano após ano, mais e mais pessoas passam fome e cada vez menos preocupação existe na sociedade. São instituições como esta que mantêm a sociedade de pé, e salvam da morte muitas famílias. Os Bancos Alimentares em atividade recolhem e distribuem várias dezenas de milhares de toneladas de produtos e apoiam ao longo de todo o ano, a ação de mais de 1.800 instituições em Portugal. Por sua vez, estas distribuem refeições confecionadas e cabazes de alimentos a pessoas comprovadamente carenciadas, abrangendo já a distribuição total mais de 275.000 pessoas.
Com o aumento do desemprego, da pobreza e, consequentemente, da má qualidade de vida de muitos portugueses, os Bancos Alimentares põem, literalmente, a comida na mesa de muitos.
De acordo com os seus Valores, a Dádiva e a Partilha, os Bancos Alimentares recusam o primado do dinheiro: a sua abordagem inscreve-se numa lógica de promoção de uma solidariedade ativa e responsável. Esforçam-se por dar testemunho de pobreza e despojamento, pela aceitação da dependência.
O objetivo principal do Banco Alimentar, é a luta contra o desperdício. Numa economia de mercado que gera excedentes alimentares em perfeitas condições de consumo, mas que por razões diversas não são comercializáveis, a postura de gratuidade dos Bancos Alimentares chega a ser provocatória.
Num mundo onde o individualismo e o corporativismo dão origem à rejeição, é importante sublinhar o espírito no qual se exerce a atividade humana dos Bancos Alimentares, cuja missão é lutar contra a exclusão e ser agente de unidade.
Frequentemente, vemos imagens de pessoas esfomeadas em África e com todo o cinismo de quem não se apercebe do que se passa, ou simplesmente não se preocupa em saber, dizemos Oh, coitadinho!, mas não paramos para pensar que próximo de nós existem pessoas que também passam fome e que essas conseguimos ajudar, apenas nada fazemos porque nos habituámos a ficarmos em casa no nosso sofá a ver as tragédias do Mundo em vez de lutarmos contra elas.
Acima de tudo, os Bancos Alimentares são isso mesmo, são uma tentativa bem-sucedida de lutar contra aquela que é uma das maiores injustiças conhecidas pela humanidade.
(primeira parte do texto escrita por Marta Mota)